Lâmpadas fluorescentes contaminam o solo, alerta especialista

soloDescarte ecologicamente correto de resíduos que contêm mercúrio evita sérios danos à saúde e ao meio ambiente

A quantidade de mercúrio em uma única lâmpada fluorescente comum é capaz de tornar não potável, cerca de 20 mil litros de água. No solo, não é diferente. O contato do metal, em estado líquido, na terra, acontece de forma significativa em função da água que ultrapassa as camadas de solo e conduz o mercúrio até o lençol freático através da chuva. Por isso, o descarte de materiais que utilizam esse elemento químico na composição deve ser observado com muita cautela. A lâmpada fluorescente está entre os objetos mais perigosos nesse aspecto, já que contém cerca de 8 mg de mercúrio em cada unidade.

“Trata-se de um elemento natural, podendo ser liberado para o meio ambiente através de atividades humanas. Já os solos possuem uma grande capacidade de reter e armazenar o mercúrio, gerando grandes teores de acumulação que dependem da composição do solo, para mensurar o seu grau de infiltração”, explica a geógrafa e especialista em ciências do solo, Carla Lisiane Webber.

O solo contaminado fica inabilitado para qualquer tipo de uso, especialmente para plantações. No entanto, a geógrafa destaca que o maior problema está no contato do metal líquido nos corpos hídricos, através da terra. “O mercúrio apresenta seu pior comportamento em ambiente aquático, pois insere-se na cadeia alimentar através dos peixes. Como a maioria dos lixões ou aterros encontra-se em áreas de várzea, o nível de contaminação é alto, injetando-se facilmente para as águas de sub-superfície e contaminando as áreas próximas”, afirma.

A contaminação do ser humano

Em contato com o homem, o mercúrio é facilmente absorvido pelas vias respiratórias quando está sob a forma de vapor, sendo também absorvido pela pele. Da mesma forma, a exposição acontece a partir do consumo de água e comida contaminadas ou durante tratamentos dentários. A ingestão ocasional do mercúrio metálico na forma líquida não é considerada grave, porém, quando inalado sob a forma de vapores aquecidos, é muito perigoso. “Em altos teores, o mercúrio pode prejudicar o cérebro, o fígado, o desenvolvimento de fetos, e causar vários distúrbios neuropsiquiátricos. Respirar vapores ou ingeri-lo é muito prejudicial porque atinge o cérebro, podendo causar irritabilidade, timidez, tremores, distorções da visão e da audição, além de problemas de memória. Pode haver também problemas nos pulmões, náuseas, vômitos, diarreia, elevação da pressão arterial e irritação nos olhos, pneumonia, dores no peito, dispneia e tosse, gengivite e salivação”, alerta Carla.

O destino do Mercúrio deve ser a reciclagem

O Mercúrio é o principal elemento da lâmpada fluorescente. Quando a corrente elétrica passa pelo vapor de Mercúrio, a radiação gerada atinge a camada de fósforo que reveste o interior da lâmpada, produzindo a luz. Apesar disso, ele é altamente tóxico e não pode ser descartado em lixo comum ou doméstico. A reciclagem permite que elementos nocivos ao meio ambiente encontrem um caminho onde possam ser reaproveitados. E a lâmpada, por fim, pode gerar matéria prima para a indústria na fabricação de vernizes, tintas, telhas e cerâmicas e, porque não, para novas lâmpadas.

No caso do descarte, as empresas responsáveis por separar e reciclar os elementos das lâmpadas fluorescentes, como a Recilux, localizada em Canoas, destinam o Mercúrio para locais com licenciamento ambiental. As áreas licenciadas para receber esses materiais, mantêm um sistema que isola o metal e protege os lençóis de água subterrâneos para que não ocorra a contaminação através do solo, da água ou por meio da cadeia alimentar.

Dia 15 de abril: Dia Nacional da Conservação do Solo

No dia 13 de novembro de 1989 foi publicada a lei federal de número 7.876, instituindo 15 de abril como o Dia Nacional da Conservação do Solo. Tal data foi escolhida em homenagem ao nascimento de um conservacionista estadunidense que desempenhou importante papel nesta área: Hugh Hammond Bennett (1881–1960), considerado em seu país como o “pai” da conservação do solo.

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