Cisternas armazenam água da chuva como opção sustentável

Sistema de captação tem como objetivo suprir as necessidades básicas em períodos de estiagem, mas pode ser utilizado em prédios e residências como forma de economizar

chuva10Preservar água nunca foi tão importante como nos dias de hoje, pois segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), se o recurso natural não for protegido, grande parte da população em 2025 terá que viver sem ele. Para fazer o uso consciente da água, existem várias maneiras de economizá-la de forma bastante acessível e eficiente, como por exemplo, a instalação de cisternas, que são reservatórios que captam a água da chuva através do telhado da construção, escoando por meio de calhas até o tanque de armazenamento.

O sistema é bastante comum para a população do semiárido brasileiro, que tem um déficit hídrico que compromete o armazenamento de água. As cisternas possibilitam aos moradores dessa região uma reserva para garantir a sobrevivência nos períodos de estiagem. De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), do volume total de água na Terra, somente 2,5% são de água doce. Atualmente, 40% da população do planeta já sofrem as consequências da falta de água.

Embora o custo da água seja relativamente baixo – aproximadamente dois reais, por mil litros de água – dada a sua importância em nossa vida, a preservação contribui no sentido de oferecer vantagens econômicas, nos casos de seu uso em grandes quantidades. Em condomínios ou outros empreendimentos ajardinados, que requerem irrigação periódica, a água captada pelas cisternas é destinada à descarga de vasos sanitários, irrigação de jardins, limpeza, e, quando necessário, para lavagem de automóveis.

Conforme o especialista em ciências ambientais ligadas à edificação e professor do Núcleo Orientado para Inovação da Edificação (NORIE) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Miguel Aloysio Sattler, já existem cidades onde há exigência para preservação em alguns tipos de empreendimentos. “É uma exigência das prefeituras locais para evitar inundações nas cidades. Normalmente, nesses casos, sistemas são projetados para reservar a água e liberá-la mais tarde de modo a atenuar os piques de acumulação e que levam a inundação em pontos mais baixos no relevo da cidade”. Existem alguns exemplos de iniciativas que caminham nessa direção, a partir de órgãos públicos, como é o caso da Procuradoria Geral de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul (PGE-RS).

Estima-se que uma pessoa necessite de mais de 150 litros de água por dia, considerando limpeza doméstica, descarga de vaso sanitário, higiene pessoal, cozinha, lavagem de roupa e outros fins. Entre essas necessidades, requer-se água para beber, que corresponde a aproximadamente 2 litros, e não muito mais para cozinhar. “Os serviços públicos de abastecimento nos suprem 150 litros ou mais com água ‘potável’, sendo toda ela tratada após ser captada. No entanto, a água da chuva poderia ser uma solução de uso mais racional para esse bem essencial à vida”, ressalta Sattler.

Materiais utilizados nas cisternas

Segundo o engenheiro Miguel Sattler, além das cisternas pré-fabricadas, encontradas no mercado, como as em fibrocimento ou fibra de vidro, existe a possibilidade de construção de um sistema em concreto armado. “Se for para utilização em pequena escala, não é necessário uma cisterna, um barril ou tonel será suficiente”, explica.

Em geral, uma cisterna adequada ao armazenamento de água da chuva por longos períodos deve contemplar:

1.Pouca variação da temperatura interna (motivo de se recomendar que sejam enterradas);

2.Bloqueio de entrada de luz solar para evitar a proliferação de algas;

3.Sustentação estrutural quando permanecerem vazias durantes períodos de estiagem;

4.Impermeabilidade e resistência a vazamentos da água armazenada.

Aproveitamento no mundo

Nos Estados Unidos, Alemanha e Japão o processo de captação de água de chuva começou visando reter as águas como prevenção às enchentes urbanas. Contudo com o passar do tempo o aproveitamento das águas pluviais foi necessário devido ao risco de escassez e também para estimular a recarga dos solos. No I Fórum Mundial da Água, o qual aconteceu em Kyoto no Japão, em 2003, especialistas decidiram que alguns países deveriam seguir o exemplo da China e começarem a construir tanques para armazenamento da água da chuva para o uso em plantações.

Já na região sul da Austrália, 82 % das crianças tomam águas pluviais (uso para fins potáveis) e com isso a incidência de diarreia é muito menor em relação às crianças que tomam água com cloro.

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