Dia Mundial da Água incentiva o consumo consciente

 Temática desse ano irá debater sobre os impactos econômicos que a escassez do recurso acarreta à sociedade

Definido pela Organização das Nações Unidas (ONU), o tema do Dia Mundial da Água desse ano, comemorado em 22 de março, será Água e Empregos: Investir em Água É Investir em Empregos. Os temas dos próximos dois anos também já foram definidos. Em 2017 será água Residual e em 2018 o tema será Soluções Naturais para a Água. O objetivo é criar um debate em torno desses assuntos, para conscientizar a população sobre a importância de preservar esse recurso.

A data foi criada na Conferência da ONU sobre meio ambiente e desenvolvimento, realizada em 1992, no Rio de Janeiro, e desde 1993 é celebrada mundialmente para incentivar o uso sustentável dos recursos hídricos no planeta. Segundo relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas para a Educação (Unesco) no ano passado, o consumo de água cresceu duas vezes mais que a população nas últimas décadas. Mantendo esse ritmo, em 2030 o mundo enfrentará um déficit de 40% no abastecimento.

Em 2013, o consumo de água no Brasil por habitante foi de 166,3 litros por dia. A recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é que se utilize 110 litros/dia para uma pessoa. Por outro lado, as perdas na distribuição diminuíram dos 41,6% de 2009 para 37% em 2013. Além disso, 94% da população do país tem acesso à água potável. De qualquer forma, o Brasil ainda está longe de ser um modelo quando comparado a países como Japão e Alemanha, onde o desperdício por vazamentos são de apenas 3% e 7%, respectivamente.

Conscientização

Sancionada em dezembro do ano passado, a Lei nº 13.233, que torna obrigatória a veiculação da mensagem “Água: pode faltar. Não desperdice” em embalagens e rótulos de produtos de limpeza que consomem água para sua utilização terá prazo de 365 dias para a adaptação dos fornecedores. No Congresso Nacional desde 2005, a lei será regulamentada para garantir que a mensagem esteja em destaque e em local visível nos produtos. O descumprimento da medida acarretará em multa, apreensão e inutilização. A empresa ainda poderá ter a fabricação suspensa e até cassação do registro de produção. O objetivo é conscientizar sobre a crise hídrica e incentivar o consumo moderado da água.

Convenção de Minamata visa à redução do uso de mercúrio no planeta

Os 18 países que já assinaram concordam em banir até 2020 diversos produtos que utilizam o mercúrio

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Utilizado em termômetros, lâmpadas fluorescentes, setores de mineração, cimento e energia térmica, amálgama dental entre outras aplicações, o mercúrio é um metal altamente tóxico, mas que pode estar próximo de ser banido, graças a Convenção de Minamata, um tratado global assinado em 2013 no Japão, que visa proteger a saúde humana e o meio ambiente dos efeitos negativos do mercúrio. Até agora, dos 128 países que aderiram, apenas 18 já ratificaram o documento. São necessárias 50 ratificações para o acordo entrar em vigor e, no Brasil, o processo está em andamento.

No entanto, algumas medidas já estão sendo tomadas para mudar esse cenário. O Ministério do Meio Ambiente deve apresentar até o ano que vem um diagnóstico mais preciso quanto ao uso do mercúrio no país em um inventário de emissões e liberações, através do projeto “Desenvolvimento da Avaliação Inicial da Convenção de Minamata sobre Mercúrio no Brasil”. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), as emissões do metal no país são cerca de 50 toneladas ao ano. Porém, não há dados sobre liberações na água e na terra.

Entre as diretrizes e obrigações da Convenção, destacam-se o controle de fontes e comércio de mercúrio, incluindo o banimento da mineração primária; medidas para controle e a redução de emissões e liberações de mercúrio ao meio ambiente; eliminação ou redução do uso do mercúrio em determinados produtos e processos industriais, bem como o manejo sustentável de resíduos de mercúrio e criação de planos nacionais para reduzir o uso de mercúrio na mineração de ouro artesanal e em pequena escala.

Mercúrio

Encontrado naturalmente na crosta terrestre, o mercúrio apresenta diversas formas químicas, sendo que a maioria das emissões atmosféricas ocorre na forma do mercúrio elementar, que é bastante estável e pode permanecer na atmosfera por anos. A exposição a níveis elevados pode afetar o cérebro, coração, rins, pulmões e sistema imunológicos dos seres humanos. As formas de contaminação são variadas, incluindo o consumo de pescado e exposição ocupacional.

Além disso, há a contaminação ambiental, resultado de ações antrópicas (resultado da ação humana) como o descarte incorreto de resíduos. Dessa forma, solo e água também são poluídos. Com a Política Nacional de Resíduos Sólidos, fabricantes, importadores, comerciantes e distribuidores devem estimular a logística reversa, através do retorno dos produtos após o uso pelo consumidor, para que os resíduos perigosos sejam destinados à reciclagem, sem causar danos à saúde e ao planeta.

Montenegro terá Dia do Descarte Correto no mês de março

Em parceria com a Prefeitura Municipal, a empresa Recilux fará a coleta de lâmpadas fluorescentes no dia 23

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No dia 23 de março está agendado o Dia do Descarte Correto, iniciativa da Prefeitura de Montenegro em parceria com a Recilux, que acontece na Praça Rui Barbosa das 8h às 16h. Segundo a gestora ambiental da Prefeitura do município, Joana Mara dos Santos, um dos objetivos do evento é “ajudar e orientar a comunidade de como se pode fazer certo de forma simples”. Além da troca de informação, a população local poderá fazer o descarte de até cinco lâmpadas fluorescentes, que serão encaminhadas para descontaminação e reciclagem pela Recilux.

É importante lembrar que o descarte desse material não deve ser feito em lixo comum, por possuir mercúrio, um metal prejudicial à saúde humana e ao meio ambiente, que normalmente é liberado com a quebra das lâmpadas durante o transporte aos aterros sanitários. “Sabemos que com estas iniciativas podemos fazer a diferença em busca do bem comum para toda a sociedade. Este trabalho visa melhorar o meio ambiente, pois todos somos responsáveis”, completa a gestora. Em caso de chuva, o evento será transferido para o Parque Centenário.

 

PNUMA faz alerta sobre problemas causados pela exposição à poluição ambiental

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As consequências do descaso com o meio ambiente estão cada vez mais notáveis, colocando em risco a saúde humana, de acordo com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). Anualmente, cerca de 7 milhões de pessoas morrem em decorrência da exposição à poluição ambiental, tanto em ambientes internos como externos. Os principais meios envolvem a produção de energia, a utilização de fornos, transporte, fornalhas industriais, queimadas entre outras causas.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 23% das mortes prematuras podem ser associadas a fatores ambientais, sendo que entre as crianças o número cresce para 36%. Além disso, quase mil crianças morrem por dia devido a doenças transmitidas por água contaminada ou imprópria para o consumo. Com o aumento da degradação da natureza, o risco de infecções como zika, malária e ebola também se agravam, bem como diferentes tipos de câncer e formas de intoxicação.

Algumas medidas têm sido tomadas ao longo dos anos, para minimizar esses impactos na saúde humana. O Protocolo de Montreal, implementado em 1989, retirou de circulação quase 100 substâncias nocivas à camada de ozônio. Estimativas do PNUMA indicam que, com a iniciativa, aproximadamente 2 milhões de casos de câncer de pele serão prevenidos até 2030. A remoção do chumbo dos combustíveis também trouxe vantagens, pois a determinação estaria contribuindo para evitar a morte prematura de um milhão de pessoas por ano.

No final de maio, a relação entre saúde e meio ambiente será discutida na Assembleia Ambiental das Nações Unidas, onde o PNUMA lançará um relatório a respeito do assunto com o objetivo de promover o debate sobre os vínculos entre desenvolvimento, meio ambiente, saúde e economia.

Isopor pode ser reciclado, mas processo ainda é pouco comum

Quando descartado incorretamente pode matar espécies aquáticas que acabam ingerindo o material

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Diferente do que muitos pensam, o poliestireno expandido (EPS), conhecido popularmente como isopor, é um tipo de plástico 100% reciclável e não deve ser destinado a aterros sanitários por representar um risco para o meio ambiente. Proveniente do petróleo, a produção do EPS é livre de CFCs (clorofluorcarbonetos), mas quando descartado em lixo comum, ocupa muito espaço nos aterros, por ser impermeável, prejudica o solo e impede a penetração da água, e quando cai em rios e mares, polui e confunde os animais, que acabam ingerindo o material.

O isopor é utilizado em embalagens, caixas térmicas, proteção para eletrodomésticos e outros produtos frágeis, mas principalmene na construção civil. Como um bom isolante térmico e resistente a determinadas condições, é aplicado na preparação de concreto leve, lajes, telhas e forros. A reciclagem pode ocorrer de três formas, sendo elas a mecânica, a energética e a química. Na primeira, o isopor é transformado em matéria prima para a fabricação de novos produtos. A segunda usa o poliestireno para a recuperação de energia, devido ao alto poder calorífico. Já a última, reutiliza o plástico para a fabricação de óleos e gases.

No entanto, o processo de coleta e reciclagem não é muito comum. Por ser composto por 95% de ar e 5% de plástico, o EPS se torna leve e muito volumoso e o transporte acaba saindo caro. Portanto, dificilmente o material é coletado. Para que seja viável, a quantidade deve ser grande, mas nem sempre as cooperativas estão preparadas e acabam sequer aceitando doações. Dessa forma, para tentar diminuir os impactos ambientais, a iniciativa deve ser do consumidor, em optar por produtos que não utilizam o material nas embalagens, além de procurar um ponto de descarte próximo.