Tratamento de efluentes industriais ajuda na preservação do meio ambiente

Despejados na natureza, os efluentes industriais quando não tratados, poluem o solo e a água

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As indústrias utilizam a água para diversos meios, e nessas atividades muitas vezes os efluentes líquidos acabam sendo contaminados. Tratar esses efluentes é importante para preservar o meio ambiente, pois muitos líquidos são tóxicos e o descarte incorreto pode poluir o solo e a água. A natureza dos poluentes ou das operações utilizadas para o tratamento é que classificam os processos em físicos, químicos ou biológicos.

As características físicas, químicas e biológicas do efluente industrial variam de acordo com o tipo de indústria, podendo o efluente líquido ser solúvel ou com sólidos em suspensão, com ou sem coloração, orgânico ou inorgânico e com temperatura baixa ou alta. O conhecimento do volume e composição do efluente industrial é essencial para definir o tipo de tratamento.

Nos processos físicos se removem os sólidos em suspensão e flutuantes através da separação por meio de gradeamento, peneiramento, caixas separadoras de óleos e gorduras, sedimentação e flotação. Também é retirada a matéria orgânica e inorgânica e pode ser reduzida ou eliminada a presença de microrganismos. Nos processos químicos, se consegue remover os poluentes por meio de reações químicas e condicionar a mistura de efluentes que será tratada nos processos seguintes.

Já o tratamento biológico remove a matéria orgânica dissolvida e em suspensão, transformando-a em sólidos sedimentáveis e gases. Os principais processos são os aeróbicos, facultativos e anaeróbicos. Ou seja, é realizado por meio de bactérias e outros microrganismos que consomem a matéria orgânica através do processo respiratório.

A Lei Federal prevê crime ambiental para os resíduos líquidos não tratados, que têm alto potencial de poluição do meio ambiente. Se o efluente não estiver de acordo com a Resolução 357 do CONAMA, a empresa que atua ilegalmente poderá perder certificações ambientais, como ISO 14001. A punição pode variar de multas até paralisação temporária ou definitiva da atividade industrial.

Quando o tratamento de efluentes não é feito de forma adequada também afeta a saúde humana, pois além de contaminar a água, os resíduos agridem o ecossistema dos rios, o que influencia na rotina das pessoas, podendo causar doenças.

Resíduos recicláveis e não recicláveis: saiba quais são e qual o melhor destino

coleta-seletiva-1024x730No dia a dia utilizamos diversos materiais que são descartados com a mesma rapidez que os usamos. São tantos produtos que passam por nossas mãos que nem sempre sabemos qual o melhor destino para eles. No meio de tanto resíduo, há os que podem ser reciclados e outros que não há muitas opções. Saiba quais são e como descartá-los corretamente.

Materiais recicláveis: São aqueles que após passar por uma transformação física ou química ainda podem ser reutilizados, seja da forma original ou como matéria-prima para outros produtos para finalidades diversas. Para fazer a reciclagem, é preciso fazer uma seleção do lixo, separando papéis, plásticos, vidro, metal, orgânicos e não recicláveis. Após essa etapa, é importante lavar os materiais antes de descartá-los. Dessa forma, os resíduos poderão ser encaminhados para a coleta seletiva municipal, onde uma nova triagem será feita, para então iniciar o processo de reciclagem.

Papéis – aparas de papel, jornais, revistas, caixas, papelão, papel de fax, folhas de caderno, cartolinas, cartões, rascunhos escritos, envelopes, fotocópias, folhetos, impressos em geral. Para fazer o descarte, os papéis devem estar secos, limpos e, se possível, não amassados.

Plásticos – copos, garrafas, tampas, potes de alimentos (margarina), embalagens de produtos de limpeza, frascos, canos e tubos de PVC, sacos e sacolas, baldes, peças de brinquedos. As embalagens Tetra Pak podem ser separadas com o plástico. Na hora do descarte, as embalagens devem estar limpas sem resíduos para evitar animais transmissores de doenças próximo ao local de armazenamento.

Metal – latas, tampinhas de garrafas, embalagem de enlatados, canos, ferragens, panelas sem cabo, arames. Quando forem descartados, esses materiais também devem estar limpos e amassados, para diminuir o volume.

Vidro – potes de conservas, copos, cacos, garrafas, tampas, embalagens. Os materiais devem estar limpos para serem encaminhados à reciclagem. Se quebrados, devem ser embalados em jornal.

Orgânico – restos de comida, cascas de frutas, casca de ovo, sacos de chá, borra de café, folhas, flores, aparas de madeira, cinzas. Normalmente, o lixo orgânico é enviado junto com o não reciclável, indo para aterros sanitários. Mas um destino mais sustentável para esses resíduos é a compostagem. (link blog)

Materiais não recicláveis: São aqueles que não podem ser reaproveitados após transformações físicas ou químicas. A presença desses materiais no processo de reciclagem pode prejudicar a qualidade do produto reciclado ou até quebrar os equipamentos que processam o material.

Papéis – adesivos, etiquetas, fita crepe, papel carbono, fotografias, papel toalha, papel higiênico, papéis e guardanapos engordurados, papéis metalizados, parafinados ou plastificados.

Plásticos – cabos de panela, isopor, tomadas, espuma, embalagem metalizada (salgadinhos).

Metal – clipes, grampos, esponjas de aço, latas de tintas, verniz, solventes, inseticidas e aerossol, pilhas.

Vidro – espelhos, temperados planos, louças, cerâmicas, porcelanas, louças.

Apesar da maioria desses resíduos terem como destino o lixo comum, muitos podem ser encaminhados para ONGs ou postos de coleta específicos, como é o caso das pilhas e baterias, lâmpadas fluorescentes, que possuem metais e vidros que podem ser reciclados após a descontaminação, equipamentos eletrônicos e latas de tintas, verniz e solventes, que contém substâncias tóxicas e não devem ser destinadas ao aterro.

ONU define novas metas para serem atingidas nos próximos anos

Os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) que integram a Agenda 2030 devem completar e suprir novos desafios que não foram concluídos nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), definidos em 2000

ODS

Aprovada no dia 25 de setembro de 2015, a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável é um plano de ação que visa promover a prosperidade comum e o bem-estar de todos ao longo dos próximos 15 anos, com 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e 169 metas, uma seção sobre meios de implementação e um mecanismo para avaliação e acompanhamento.

A agenda baseia-se nos oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), que fazem parte da declaração criada em 2000, que tinha como meta principal reduzir a pobreza extrema até 2015. Os ODS devem completar o trabalho que ainda não foi atingido. Os principais objetivos da Agenda 2030 integram as três dimensões do desenvolvimento sustentável, que são a econômica, social e ambiental.

Erradicar a pobreza e a fome, de forma a garantir a dignidade e a igualdade; proteger os recursos naturais e o clima do planeta; implementar a agenda por meio de parceria global sólida; promover sociedades pacíficas, justas e inclusivas; garantir vidas prósperas e plenas, em harmonia com a natureza, são alguns dos objetivos propostos a serem alcançados nos próximos anos. A implementação desses objetivos deverá contar não apenas com a participação de governos, mas setor privado, mídia, sociedade civil e Nações Unidas.

O Brasil tem um papel importante na promoção da Agenda Pós-2015 e em torno disso e dos ODS resultou um documento de “Elementos Orientadores da Posição Brasileira”, criado a partir dos trabalhos de seminários e oficinas com representantes da sociedade civil e dos debates do Grupo de Trabalho Interministerial sobre a Agenda Pós-2015.

Os 8 Objetivos de Desenvolvimento do Milênio – Brasil

  1. Redução da Pobreza – O Brasil foi um dos países que mais contribuiu para o alcance global dessa meta, reduzindo a pobreza extrema e a fome não apenas pela metade ou a um quarto, mas a menos de um sétimo do nível de 1990, passando de 25,5% para 3,5% em 2012. Outro fator em que houve mudanças foi o analfabetismo na extrema pobreza. Em 1990, a chance de uma família liderada por um analfabeto estar em situação de pobreza extrema era 144 vezes maior que a de uma família liderada por alguém com curso superior. Essa razão diminuiu em 2012 e passou a ser de apenas 11:1. 
  1. Atingir o ensino básico Universal – A percentagem de jovens de 15 a 24 anos com pelo menos seis anos completos de estudo passou de 59,9% em 1990, para 84% em 2012. Além disso, a desigualdade do acesso à escola pelas crianças de 7 a 14 anos foi superada graças às sucessivas políticas de universalização do ensino que reduziram radicalmente as restrições de oferta de serviços educacionais. 
  1. Igualdade entre os sexos e autonomia das mulheres – De 1990 a 2012, a escolarização dos homens no ensino médio aumentou mais do que a das mulheres, diminuindo a disparidade, já que a desvantagem pertencia a eles. No entanto, a desvantagem masculina no ensino superior aumentou. Em 1990, para cada 100 homens frequentando escolas superiores, havia 126 mulheres e, em 2012, essa razão passou a ser de 100 para 136. Com relação à participação feminina no trabalho, no Brasil, a percentagem de mulheres em atividades fora da agricultura já era de 42,7% em 1992 e passou para 47,3% em 2012. Além disso, as mulheres chegam a representar 59,5% dos empregados no setor não agrícola com educação superior, ou seja, são maioria entre os profissionais que ocupam os melhores e mais bem remunerados postos de trabalho assalariados. 
  1. Reduzir a mortalidade na infância – O principal indicador da meta é a taxa de mortalidade entre crianças menores de 5 anos, que expressa a frequência de óbitos nessa faixa etária para cada mil nascidos vivos. A taxa passou de 53,7 em 1990 para 17,7 óbitos por mil nascidos vivos em 2011. O Brasil também já atingiu a meta estabelecida em relação às mortes de crianças com menos de 1 ano de idade, passando de 47,1 para 15,3 óbitos por mil nascidos vivos, superando a meta de 15,7 óbitos estimada para 2015.
  1. Melhorar a saúde materna – De 1990 a 2011, a taxa de mortalidade materna brasileira caiu em 55%, passando de 141 para 64 óbitos a cada 100 mil nascidos vivos. Em 2011, 99% dos partos foram realizados em hospitais ou outros estabelecimentos de saúde, sendo que cerca de 90% das gestantes fizeram quatro ou mais consultas pré-natais. 
  1. Combater o HIV/Aids, a malária e outras doenças – No Brasil, a taxa de detecção de HIV/aids se estabilizou nos últimos dez anos, em torno de 20 por 100 mil habitantes diagnosticados por ano, e o coeficiente de mortalidade pela doença diminuiu. Os registros entre crianças menores de 5 anos também caíram consideravelmente entre 2001 e 2012, passando de 5 para 3,4 por 100 mil habitantes. 
  1. Garantir a sustentabilidade ambiental – Em 2012, as porcentagens de pessoas sem acesso à água e ao esgotamento sanitário já estavam abaixo da metade do nível de 1990. Ademais, a meta D do ODM 7 visa alcançar, até 2020, uma melhora significativa na vida de pelo menos 100 milhões de habitantes de assentamentos precários. No Brasil, a população urbana em condições de moradia inadequada já caiu de 53,3% em 1992 para 36,6% em 2012. 
  1. Estabelecer uma parceria mundial para o desenvolvimento – O Brasil vem participando ativamente, e de forma propositiva, para garantir o êxito da Rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC), que tem como objetivo central tornar o sistema multilateral do comércio mais justo e equilibrado, de forma a contribuir para a promoção do desenvolvimento socioeconômico.

 

 

Coleta seletiva permite reaproveitamento do óleo de cozinha

Quando encaminhado para a reciclagem, resíduo pode ser transformado em produtos que geram renda para diversas famílias

óleo de cozinha e sabãoNas tarefas diárias muitos cuidam para economizar água, separar o lixo, mas na hora de cozinhar, acabam esquecendo algo muito importante: como fazer o descarte correto do óleo. O destino adequado desse resíduo, na maioria das vezes, é o ralo da pia, mas com essa atitude, ele contamina os mananciais e entope as caixas de gordura. Além disso, em contato com a água, o óleo forma uma película que impede a penetração da luz solar e oxigênio, causando a morte de diversas espécies aquáticas.

Apenas um litro de óleo de cozinha é capaz de contaminar cerca de 25 mil litros de água. Portanto, a reciclagem é o destino mais adequado para o óleo usado. A partir dessa ideia de conscientização, mulheres de São Leopoldo formaram um grupo com o objetivo de gerar renda através do aproveitamento de resíduos. A Cooperativa Mundo Mais Limpo, incubada pelo Programa Tecnologias Sociais para Empreendimentos Solidários – Tecnosociais/IHU, vinculado ao Instituto Humanitas da Unisinos, utiliza o óleo de cozinha proveniente de empresas locais, para fabricar produtos de limpeza, principalmente sabão.

Inicialmente como associação, o grupo recebia apenas apoio da prefeitura local, participando do programa de coleta seletiva, onde todo o óleo da cidade era destinado a Mundo Mais Limpo. Hoje, além disso, a Cooperativa conta com a parceria de empresas e a prefeitura disponibiliza um caminhão para o transporte da matéria-prima. Além do sabão, o óleo de cozinha pode ser usado para a produção de biodiesel, tintas a óleo, massa de vidraceiro entre outros produtos.

Construções sustentáveis diminuem os impactos para o meio ambiente

Tendência no segmento da construção e arquitetura é focar em projetos residenciais e comerciais para a preservação de recursos naturais e financeiros

Com a necessidade de poupar recursos naturais e financeiros, uma nova tendência tem ganhado força a cada ano, com o objetivo de diminuir os impactos ambientais. As construções sustentáveis são ótimas opções para quem não está satisfeito em contribuir apenas com as práticas comuns do dia a dia e quer ajudar ainda mais a preservar o meio ambiente. O Conselho Internacional da Construção (CIB) aponta a indústria da construção como o setor de atividades humanas que mais consome recursos naturais e utiliza energia de forma intensiva. Portanto, há quem procure compensar esses estragos com obras mais conscientes.

Utilizada em residências e prédios comerciais, a energia solar hoje é a fonte que mais cresce, apesar de representar apenas 0,8% da matriz elétrica mundial. Segundo o Plano Nacional de Energia (PNE), a previsão é que em 2050, 24% do aquecimento da água dos domicílios utilize o calor do sol, mas atualmente são apenas 5%. Além disso, a geração solar fotovoltaica nas residências também deverá crescer. A projeção é que com a instalação das placas, 13% da carga do segmento residencial serão atendidas por essa energia no Brasil. Com essa escolha, é possível economizar até 30% de energia elétrica.

Outros sistemas muito eficientes para fazer economia e bastante viável de construir são as cisternas, reservatórios que recolhem a água da chuva e armazenam para uso doméstico geral. A água obtida não é considerada potável, mas pode ser aplicada nas tarefas que mais consomem água, como lavar a calçada, o carro, descarga do vaso sanitário, etc. A economia na conta de água pode chegar a 50% com essa opção e o sistema pode ser instalado em qualquer ambiente: rural ou urbano, em casa ou apartamento.

Mas para a construção ser realmente sustentável é importante pensar nos materiais usados na estrutura do imóvel, e não apenas em sistemas de captação de energia ou de água. Plástico reciclado, madeira de reflorestamento, concreto reciclado (aproveitado a partir da demolição de outros edifiícios) também são algumas alternativas para aumentar a pegada ecológica na construção. O telhado verde, que pode integrar a cobertura de casas e prédios, ajuda na filtragem da água da chuva, que também pode ser reutilizada, além de ser um grande aliado contra a poluição do ar.

Ação do homem é a principal causa do aquecimento global

aquecimento_global-2Muito se fala sobre a importância de combater o aquecimento global, mas ainda são poucas as medidas para que isso aconteça efetivamente. No dia a dia, sem perceber, algumas de nossas atitudes influenciam diretamente no agravamento desse quadro. As mudanças climáticas podem ter causas naturais como alterações na radiação solar e dos movimentos orbitais da Terra, mas já se sabe que a ação do homem é a principal causa do aumento da temperatura no planeta. Adotar um estilo de vida mais sustentável é necessário para que se evitem as graves consequências desse fenômeno.

A queima de combustíveis fósseis para geração de energia, atividades industriais e transportes, conversão do uso do solo, agropecuária, descarte incorreto de resíduos sólidos e desmatamento, são as atividades humanas que mais emitem CO2 e outros gases formadores do efeito estufa. Os efeitos do aquecimento global são inúmeros e já ocorrem em diferentes partes do planeta. O derretimento das calotas polares, que ocasionam a elevação do nível do mar, e que podem também levar ao desaparecimento de ilhas e cidades litorâneas povoadas, a maior frequência de eventos climáticos, como ondas de calor, tempestades, seca, nevasca, furacões e tsunamis, que afetam populações humanas e ecossistemas naturais são alguns exemplos.

Um estudo publicado na revista Science Advances alerta para a relação da ausência de grandes animais herbívoros nas florestas e o aquecimento global. O problema é que florestas do Brasil e do mundo, mesmo preservadas, estão sofrendo com a falta de animais herbívoros, principalmente os de grande porte, que são vítimas de caçadores. Sem esses animais, frutos com sementes maiores (com diâmetro superior a 12mm) não são mais comidos, ficando inviável a dispersão de sementes de árvores com frutos grandes, que são as mais eficientes na absorção do gás carbônico da atmosfera. A consequência da ausência dessas espécies seria de que cada hectare dessas matas deixaria de retirar até quatro toneladas de carbono, ou seja, mais gás-estufa solto na atmosfera.

Com o desmatamento e os incêndios, que já são responsáveis por quase 80% das emissões brasileiras, pode haver uma mudança no status atual da Floresta Amazônica de redutor de carbono para fonte emissora. E quanto ao derretimento do gelo, ele não influencia apenas o nível dos oceanos, mas também o mundo dos esportes. Atletas de modalidades que dependem do frio e da neve precisam adaptar-se ao novo clima global. Nos Alpes, onde acontece as Olimpíadas de Inverno, metade da cobertura de gelo e neve desapareceu. Na região já há 19 mil canhões para produzir neve, e mesmo assim competições ainda são canceladas, modificadas ou adiadas por falta de condições. Já no Canadá, está mais arriscado praticar o hóquei em lagos congelados, pois as camadas de gelo ficam mais finas a cada estação.

CFCs

Com o surgimento em 1928 nos Estados Unidos, o clorofluorcarbono (CFC) por mais de cinco décadas foi o responsável pelo enorme buraco na camada de ozônio. O gás foi aplicado para a refrigeração de geladeiras, aparelhos de ar-condicionado e propelentes de aerossóis. Após suspeitarem sobre os riscos que o gás trazia para o planeta, a decisão foi de banir o CFC, em 1987 com o Protocolo de Montreal sobre Substâncias que Destroem a Camada de Ozônio (SDOs). O problema desse gás é que ele é 15 mil vezes mais nocivo do que o CO2 e pode durar até cem anos na atmosfera.

Em 2010 os CFCs deixaram de ser produzidos, mas foram substituídos pelos HCFCs (hidroclorofluorcarbonos), com capacidade 90% menor de destruição da camada de ozônio, mais ainda sim capazes de agredir a atmosfera, pois são gases de efeito estufa que contribuem para o aquecimento global. O Programa Brasileiro de Eliminação dos HCFCs tem como meta eliminar gradativamente toda a produção até 2040, assim como todos os países signatários do acordo.

Esmaltes poluem o meio ambiente e não devem ser descartados em lixo comum

Os compostos químicos podem contaminar o solo e a água em aterros

esmaltes

O Brasil é o segundo maior mercado consumidor de esmaltes do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, de acordo com dados da consultoria Euromonitor. Só em 2012, o acessório movimentou R$575,6 milhões, mostrando a importância do item na hora das compras. E a tendência é que esse número cresça ainda mais, pois a variedade de cores e texturas são infinitas para completar o visual das consumidoras. No entanto, com tantas opções os esmaltes são substituídos com facilidade e o prazo de validade chega rapidamente. Então surge a dúvida sobre qual o melhor destino para todo esse resíduo.

Os esmaltes possuem compostos químicos e não devem ser descartados em lixo comum, pois as embalagens podem quebrar no aterro, podendo poluir o solo e contaminar a água. O ideal seria que a logística reversa também fosse aplicada para esse tipo de resíduo, ou seja, cada local de venda oferecesse um posto de coleta para esses produtos, mas como isso ainda não acontece, algumas medidas podem ser tomadas para evitar danos ao planeta.

O esmalte não é reciclável, portanto se ele já está vencido e não é mais possível usá-lo, não deve ser descartado em pias, ralos ou vaso sanitários. O correto é colocar todo o conteúdo do recipiente em um jornal. Quanto ao vidrinho, esse sim pode ser reciclado. Depois de tirar todo o líquido da embalagem, é preciso lavá-lo com removedor de esmaltes. A solução também deve ser despejada no jornal, que depois de seco, pode ser colocado no lixo comum. A embalagem pode então ser encaminhada para a reciclagem, ou reutilizada para fazer uma nova mistura em casa.

Composição

Os esmaltes são compostos basicamente por 85% de solventes e os 15% restantes de resinas, plastificantes e outros componentes. A seguir estão os mais significantes:

  • Solventes: substâncias capazes de dispersar outras em seu meio formando assim uma solução.

Acetato etílico ou butílico: possui efeito tóxico no ambiente aquático.

Tolueno: é um diluente comprovadamente cancerígeno que pode causar irritações à pele, como vermelhidão, dor e ressecamento, além de danos ao sistema nervoso central, rins e fígado por exposição repetida ou prolongada. Também é tóxico ao ambiente aquático;

Álcool isopropílico: pode causar alergia no contato direto com a pele e prejudicar fauna, flora e ambientes aquáticos, e, quando derramado no solo, poderá percolar (atravessar o solo) em parte e atingir o lençol freático, contaminando-o.

Dibutilftalato: possui grande potencial de afetar alguns organismos aquáticos e causa irritação à pele.

Formaldeído ou formol: também utilizado como esterilizante, o produto pode ser absorvido via inalação ou por contato com a pele, com alto potencial de irritabilidade local e podendo causar câncer.

  • Resinas: são polímeros (plásticos) responsáveis pelas características do filme após a secagem, tais como brilho e propriedades físicas.

Nitrocelulose: é uma resina formada por uma mistura de solventes orgânicos e aditivos e é responsável pela aderência do esmalte sobre as unhas. Nociva por inalação e contato dérmico, pode provocar dermatite de contato, é proveniente de fontes renováveis, como madeira e algodão.

  • Plastificantes: auxiliam na manutenção da maleabilidade da película formada, impedindo a formação de rachaduras.

Cânfora: trata-se de um produto natural obtido das folhas da planta medicinal canforeira, é amplamente utilizado como plastificante da nitrocelulose.

Copolímero de etileno: garante a estabilidade do filme formado, cuidando para que não esfarele.

Polimetilacrilato: tem a função de unir os demais ingredientes.

Esteralcônio de hectorita: quando submetido à temperatura corporal (em torno de 36°C) provoca a evaporação dos solventes utilizados, tais como a acetona.

Poliuretano: tem a função de integrar os pigmentos evitando que eles se acumulem e depositem no fundo da embalagem

  • Corantes e pigmentos: são os componentes responsáveis por dar cor ao esmalte e podem ser de diversas fontes orgânicas ou inorgânicas, tais como rochas, minérios, flores, folhas ou podem mesmo ser produzidos sinteticamente.

Confira algumas dicas de como reutilizar o esmalte para decorar acessórios.