Coleta seletiva permite reaproveitamento do óleo de cozinha

Quando encaminhado para a reciclagem, resíduo pode ser transformado em produtos que geram renda para diversas famílias

óleo de cozinha e sabãoNas tarefas diárias muitos cuidam para economizar água, separar o lixo, mas na hora de cozinhar, acabam esquecendo algo muito importante: como fazer o descarte correto do óleo. O destino adequado desse resíduo, na maioria das vezes, é o ralo da pia, mas com essa atitude, ele contamina os mananciais e entope as caixas de gordura. Além disso, em contato com a água, o óleo forma uma película que impede a penetração da luz solar e oxigênio, causando a morte de diversas espécies aquáticas.

Apenas um litro de óleo de cozinha é capaz de contaminar cerca de 25 mil litros de água. Portanto, a reciclagem é o destino mais adequado para o óleo usado. A partir dessa ideia de conscientização, mulheres de São Leopoldo formaram um grupo com o objetivo de gerar renda através do aproveitamento de resíduos. A Cooperativa Mundo Mais Limpo, incubada pelo Programa Tecnologias Sociais para Empreendimentos Solidários – Tecnosociais/IHU, vinculado ao Instituto Humanitas da Unisinos, utiliza o óleo de cozinha proveniente de empresas locais, para fabricar produtos de limpeza, principalmente sabão.

Inicialmente como associação, o grupo recebia apenas apoio da prefeitura local, participando do programa de coleta seletiva, onde todo o óleo da cidade era destinado a Mundo Mais Limpo. Hoje, além disso, a Cooperativa conta com a parceria de empresas e a prefeitura disponibiliza um caminhão para o transporte da matéria-prima. Além do sabão, o óleo de cozinha pode ser usado para a produção de biodiesel, tintas a óleo, massa de vidraceiro entre outros produtos.

Construções sustentáveis diminuem os impactos para o meio ambiente

Tendência no segmento da construção e arquitetura é focar em projetos residenciais e comerciais para a preservação de recursos naturais e financeiros

Com a necessidade de poupar recursos naturais e financeiros, uma nova tendência tem ganhado força a cada ano, com o objetivo de diminuir os impactos ambientais. As construções sustentáveis são ótimas opções para quem não está satisfeito em contribuir apenas com as práticas comuns do dia a dia e quer ajudar ainda mais a preservar o meio ambiente. O Conselho Internacional da Construção (CIB) aponta a indústria da construção como o setor de atividades humanas que mais consome recursos naturais e utiliza energia de forma intensiva. Portanto, há quem procure compensar esses estragos com obras mais conscientes.

Utilizada em residências e prédios comerciais, a energia solar hoje é a fonte que mais cresce, apesar de representar apenas 0,8% da matriz elétrica mundial. Segundo o Plano Nacional de Energia (PNE), a previsão é que em 2050, 24% do aquecimento da água dos domicílios utilize o calor do sol, mas atualmente são apenas 5%. Além disso, a geração solar fotovoltaica nas residências também deverá crescer. A projeção é que com a instalação das placas, 13% da carga do segmento residencial serão atendidas por essa energia no Brasil. Com essa escolha, é possível economizar até 30% de energia elétrica.

Outros sistemas muito eficientes para fazer economia e bastante viável de construir são as cisternas, reservatórios que recolhem a água da chuva e armazenam para uso doméstico geral. A água obtida não é considerada potável, mas pode ser aplicada nas tarefas que mais consomem água, como lavar a calçada, o carro, descarga do vaso sanitário, etc. A economia na conta de água pode chegar a 50% com essa opção e o sistema pode ser instalado em qualquer ambiente: rural ou urbano, em casa ou apartamento.

Mas para a construção ser realmente sustentável é importante pensar nos materiais usados na estrutura do imóvel, e não apenas em sistemas de captação de energia ou de água. Plástico reciclado, madeira de reflorestamento, concreto reciclado (aproveitado a partir da demolição de outros edifiícios) também são algumas alternativas para aumentar a pegada ecológica na construção. O telhado verde, que pode integrar a cobertura de casas e prédios, ajuda na filtragem da água da chuva, que também pode ser reutilizada, além de ser um grande aliado contra a poluição do ar.

Ação do homem é a principal causa do aquecimento global

aquecimento_global-2Muito se fala sobre a importância de combater o aquecimento global, mas ainda são poucas as medidas para que isso aconteça efetivamente. No dia a dia, sem perceber, algumas de nossas atitudes influenciam diretamente no agravamento desse quadro. As mudanças climáticas podem ter causas naturais como alterações na radiação solar e dos movimentos orbitais da Terra, mas já se sabe que a ação do homem é a principal causa do aumento da temperatura no planeta. Adotar um estilo de vida mais sustentável é necessário para que se evitem as graves consequências desse fenômeno.

A queima de combustíveis fósseis para geração de energia, atividades industriais e transportes, conversão do uso do solo, agropecuária, descarte incorreto de resíduos sólidos e desmatamento, são as atividades humanas que mais emitem CO2 e outros gases formadores do efeito estufa. Os efeitos do aquecimento global são inúmeros e já ocorrem em diferentes partes do planeta. O derretimento das calotas polares, que ocasionam a elevação do nível do mar, e que podem também levar ao desaparecimento de ilhas e cidades litorâneas povoadas, a maior frequência de eventos climáticos, como ondas de calor, tempestades, seca, nevasca, furacões e tsunamis, que afetam populações humanas e ecossistemas naturais são alguns exemplos.

Um estudo publicado na revista Science Advances alerta para a relação da ausência de grandes animais herbívoros nas florestas e o aquecimento global. O problema é que florestas do Brasil e do mundo, mesmo preservadas, estão sofrendo com a falta de animais herbívoros, principalmente os de grande porte, que são vítimas de caçadores. Sem esses animais, frutos com sementes maiores (com diâmetro superior a 12mm) não são mais comidos, ficando inviável a dispersão de sementes de árvores com frutos grandes, que são as mais eficientes na absorção do gás carbônico da atmosfera. A consequência da ausência dessas espécies seria de que cada hectare dessas matas deixaria de retirar até quatro toneladas de carbono, ou seja, mais gás-estufa solto na atmosfera.

Com o desmatamento e os incêndios, que já são responsáveis por quase 80% das emissões brasileiras, pode haver uma mudança no status atual da Floresta Amazônica de redutor de carbono para fonte emissora. E quanto ao derretimento do gelo, ele não influencia apenas o nível dos oceanos, mas também o mundo dos esportes. Atletas de modalidades que dependem do frio e da neve precisam adaptar-se ao novo clima global. Nos Alpes, onde acontece as Olimpíadas de Inverno, metade da cobertura de gelo e neve desapareceu. Na região já há 19 mil canhões para produzir neve, e mesmo assim competições ainda são canceladas, modificadas ou adiadas por falta de condições. Já no Canadá, está mais arriscado praticar o hóquei em lagos congelados, pois as camadas de gelo ficam mais finas a cada estação.

CFCs

Com o surgimento em 1928 nos Estados Unidos, o clorofluorcarbono (CFC) por mais de cinco décadas foi o responsável pelo enorme buraco na camada de ozônio. O gás foi aplicado para a refrigeração de geladeiras, aparelhos de ar-condicionado e propelentes de aerossóis. Após suspeitarem sobre os riscos que o gás trazia para o planeta, a decisão foi de banir o CFC, em 1987 com o Protocolo de Montreal sobre Substâncias que Destroem a Camada de Ozônio (SDOs). O problema desse gás é que ele é 15 mil vezes mais nocivo do que o CO2 e pode durar até cem anos na atmosfera.

Em 2010 os CFCs deixaram de ser produzidos, mas foram substituídos pelos HCFCs (hidroclorofluorcarbonos), com capacidade 90% menor de destruição da camada de ozônio, mais ainda sim capazes de agredir a atmosfera, pois são gases de efeito estufa que contribuem para o aquecimento global. O Programa Brasileiro de Eliminação dos HCFCs tem como meta eliminar gradativamente toda a produção até 2040, assim como todos os países signatários do acordo.

Esmaltes poluem o meio ambiente e não devem ser descartados em lixo comum

Os compostos químicos podem contaminar o solo e a água em aterros

esmaltes

O Brasil é o segundo maior mercado consumidor de esmaltes do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, de acordo com dados da consultoria Euromonitor. Só em 2012, o acessório movimentou R$575,6 milhões, mostrando a importância do item na hora das compras. E a tendência é que esse número cresça ainda mais, pois a variedade de cores e texturas são infinitas para completar o visual das consumidoras. No entanto, com tantas opções os esmaltes são substituídos com facilidade e o prazo de validade chega rapidamente. Então surge a dúvida sobre qual o melhor destino para todo esse resíduo.

Os esmaltes possuem compostos químicos e não devem ser descartados em lixo comum, pois as embalagens podem quebrar no aterro, podendo poluir o solo e contaminar a água. O ideal seria que a logística reversa também fosse aplicada para esse tipo de resíduo, ou seja, cada local de venda oferecesse um posto de coleta para esses produtos, mas como isso ainda não acontece, algumas medidas podem ser tomadas para evitar danos ao planeta.

O esmalte não é reciclável, portanto se ele já está vencido e não é mais possível usá-lo, não deve ser descartado em pias, ralos ou vaso sanitários. O correto é colocar todo o conteúdo do recipiente em um jornal. Quanto ao vidrinho, esse sim pode ser reciclado. Depois de tirar todo o líquido da embalagem, é preciso lavá-lo com removedor de esmaltes. A solução também deve ser despejada no jornal, que depois de seco, pode ser colocado no lixo comum. A embalagem pode então ser encaminhada para a reciclagem, ou reutilizada para fazer uma nova mistura em casa.

Composição

Os esmaltes são compostos basicamente por 85% de solventes e os 15% restantes de resinas, plastificantes e outros componentes. A seguir estão os mais significantes:

  • Solventes: substâncias capazes de dispersar outras em seu meio formando assim uma solução.

Acetato etílico ou butílico: possui efeito tóxico no ambiente aquático.

Tolueno: é um diluente comprovadamente cancerígeno que pode causar irritações à pele, como vermelhidão, dor e ressecamento, além de danos ao sistema nervoso central, rins e fígado por exposição repetida ou prolongada. Também é tóxico ao ambiente aquático;

Álcool isopropílico: pode causar alergia no contato direto com a pele e prejudicar fauna, flora e ambientes aquáticos, e, quando derramado no solo, poderá percolar (atravessar o solo) em parte e atingir o lençol freático, contaminando-o.

Dibutilftalato: possui grande potencial de afetar alguns organismos aquáticos e causa irritação à pele.

Formaldeído ou formol: também utilizado como esterilizante, o produto pode ser absorvido via inalação ou por contato com a pele, com alto potencial de irritabilidade local e podendo causar câncer.

  • Resinas: são polímeros (plásticos) responsáveis pelas características do filme após a secagem, tais como brilho e propriedades físicas.

Nitrocelulose: é uma resina formada por uma mistura de solventes orgânicos e aditivos e é responsável pela aderência do esmalte sobre as unhas. Nociva por inalação e contato dérmico, pode provocar dermatite de contato, é proveniente de fontes renováveis, como madeira e algodão.

  • Plastificantes: auxiliam na manutenção da maleabilidade da película formada, impedindo a formação de rachaduras.

Cânfora: trata-se de um produto natural obtido das folhas da planta medicinal canforeira, é amplamente utilizado como plastificante da nitrocelulose.

Copolímero de etileno: garante a estabilidade do filme formado, cuidando para que não esfarele.

Polimetilacrilato: tem a função de unir os demais ingredientes.

Esteralcônio de hectorita: quando submetido à temperatura corporal (em torno de 36°C) provoca a evaporação dos solventes utilizados, tais como a acetona.

Poliuretano: tem a função de integrar os pigmentos evitando que eles se acumulem e depositem no fundo da embalagem

  • Corantes e pigmentos: são os componentes responsáveis por dar cor ao esmalte e podem ser de diversas fontes orgânicas ou inorgânicas, tais como rochas, minérios, flores, folhas ou podem mesmo ser produzidos sinteticamente.

Confira algumas dicas de como reutilizar o esmalte para decorar acessórios.

Lixo nas praias causa impactos ambientais e prejudica os banhistas

Além de causar a morte de várias espécies marinhas, o lixo também pode ferir banhistas que aproveitam a temporada de férias no litoral

lixo

Com a chegada do calor e período de férias, um cenário bastante comum é o de praias lotadas de banhistas, que se deslocam das cidades para o litoral. O problema é que junto deles, o lixo também toma conta das areias. Embalagens plásticas, garrafas de vidro, entre outros resíduos, já fazem parte da paisagem de quem circula os mais de 8 mil km de extensão de zona costeira brasileira, principalmente nessa época do ano. O elevado tempo de decomposição de muitos desses materiais acaba causando impactos ambientais, que refletem principalmente no ecossistema marinho.

O lixo presente nas praias pode ser proveniente de banhistas ou trazido pelas correntes marinhas, como constatou o fotógrafo da Bahia Fabiano Prado Barretto em 2001 durante uma caminhada entre as praias do Forte e Imbassaí, que deu origem ao projeto “Praia Local, Lixo Global”. Durante o percurso realizado no carnaval daquele ano, o fotógrafo percebeu uma grande quantidade de lixo, inclusive em trechos onde havia pouca frequência de público. Mais de 80 embalagens foram coletadas, sendo todas elas de produtos estrangeiros. Os resíduos eram de 26 países diferentes, mas os mais comuns eram dos Estados Unidos, África do Sul e Alemanha.

Todo esse lixo é jogado no mar, podendo ser de veleiros particulares, cargueiros e cruzeiros de turismo estrangeiros, que chegam à costa pelas correntes marítimas. Entre os produtos encontrados, estavam garrafas de água mineral, leite, sprays em lata, inseticidas, produtos de beleza e limpeza, que são altamente tóxicos. Apesar de ser proibido o descarte de lixo no mar por qualquer embarcação, a fiscalização pouco rigorosa não intimida os infratores. De acordo com a Marinha, o descarte de lixo na faixa de 200 milhas, que corresponde ao mar territorial brasileiro, é considerado crime passível de multa, que varia de R$ 7 mil a R$ 50 milhões.

O lixo flutuante agrava ainda mais a situação de espécies em extinção, que muitas vezes acabam ingerindo resíduos por confundir com alimentos, levando à morte do animal. Além dos danos à vida marinha, pesquisas mostram que as pessoas também são prejudicadas. No litoral sul do país foi observado que cerca de 20% dos banhistas já sofreram algum tipo de ferimento relacionado ao lixo na praia. No entanto, esse problema poderia ser solucionado com simples ações que contariam com maior envolvimento e incentivo do poder público e a conscientização da população para essa questão ambiental.